quarta-feira, dezembro 19

Egrégios avós

No rescaldo da cimeira de Lisboa entristece-me constatar que, apesar da onda europeísta estar desde 1986 a inundar as nossas vidas, continuamos ainda bem agarrados à desengonçada prancha lusitana (que dificilmente nos levará a bom porto).
O hino permaneceu como um dos mais importantes símbolos da nossa identidade nacional. Os reformistas, ainda que resignados à melodia de Alfredo Keil, já propuseram alterar a letra de Henrique Lopes de Mendonça, procurando certamente uma melhor adaptação do seu conteúdo às cruzadas do quotidiano.
Acredito sinceramente que as palavras pouco importam na presença de uma melodia sinfónica antiquada, facilmente cantável de mão ao peito. Basta recordar imagens recentes de 15 “lobos” vociferando comovidos: “Ó pátria sente-se a voz / Dos teus egrégios avós”. Quase aposto que a esmagadora maioria nem faz ideia do que egrégio quer dizer.